21/05/09

Para onde os pássaros migram?

Ato I:

A distância para o que eu sentia agora é grande.
Antigamente eu conseguia diferenciar as coisas...
...Sentimentos e pensamentos, céu e inferno.
Eu poderia pensar em te dizer, simplesmente te dizer...
...Dizer que não te amo, que não te quero.

...Assim, seria mais fácil...

Eu poderia simplesmente virar as costas...
...E para de pintar o céu com um azul dolorido.
Pintaria com um vermelho alegre, para esquecer...
...Para apagar as cinzas e os rastros dos antigos traços.
O mesmo vermelho da tua unha.

...Assim, seria tão mais belo...

Eu poderia parar de desejar você aqui.
Seguir com minha vida, seguir, voar e sonhar.
Mas, eu não sei fazer isso...
...Eu não quero isso.
Eu não sei mais o que quero, o que quero é você.
Em meus braços, sorrindo e fazendo-me sorrir.

...Assim, seria tão mágico...

Eu poderia simplesmente esperar essa semana passar.
Distante, sem ficar ancioso por te ver.
Esperar para que esse dia demorasse para chegar...
...Assim, você se interessaria em outra coisa.
Poderia esperar que as datas comemorativas acabassem...
...Para eu não precisar lembrar de você.

...Assim, seria tão mais simples...

Eu poderia, simplesmente, não querer lutar...
...Seguir minha natureza desistente.
Odeio despedidas, odeio essas guerras de uma hora (ou mais).
Odeio quando não olha em meus olhos, odeio o silêncio inoportuno.
Odeio que não me conte as coisas, mesmo que já tenham ido...
...Feito pássaros migrando no inverno.
Para onde eles vão mesmo?

Ato II:

(O tempo muda, o céu se fecha...
A chuva bate na janela...
O vento sopra levando as nuvens embora...
Trazendo o sol a brilhar...)

Para onde o sol migra quando estamos com frio?
Quando nossos corações não batem na mesma frequencia?
Onde está o sol que tanto brilhava?
Que tanto reluzia no brilho do teu sorriso?

Difícil aguentar, voltar para casa e em silêncio permanecer...

Ato III:

(Talvez nos perdemos nas palavras não expressadas...
Talvez não tenhamos dito o quanto um significou para o outro!
Talvez tenha te deixado quando você me deixou!)

Não quero pensar que, em algum dia, você me deixou...
Mas eu sei, não deve-se julgar aquilo que sentimos...
...Nem tentar entender o motivo.
...Situações que foram verdades, doloridas como sempre.

Ato IV:

Eu sei que quando eu te ver...
...Toda essa grande dor, ou que eu penso ser assim, irá sumir.
Mas, também sei que, por qualquer pequena coisa...
...Ela poderá voltar, como agora voltou.

Ato V:

Eu já nem sei em quantas vezes eu pensei em nós.
Você toma conta da minha cabeça 24/7.
Eu não sei o motivo, eu ainda tento esconder.
Eu sei que lhe afugentaria caso eu fosse eu mesmo.

Por você eu vi, mudei, sofri e morri.
Não que seja ao extremo, mas aconteceu.
E toda vez em que eu tentava te matar...
...Era eu quem estava morrendo na verdade.

Toda vez em que eu olhava para tuas bonecas.
Jogadas em um canto, quebradas...
...Eu via a inocência que há muito havia ido embora.

Ato VI:

De que adianta viver se eu não posso ser eu mesmo?
Lutar tão frequentemente para ser humano...
...De que adianta se não terei retorno?
O corpo é apenas uma carcassa dispensável.

A carne expira a luz que reflete no tempo...
Lutar uma luta sozinho, sem um lugar-comum...
...Um lugar seguro, um abrigo para os desavisados.
Uma batalha em um dia cinza...
...Para além destes verdes campos de angústia.

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