Primeiro capítulo.
Então ele se juntaram mais uma vez, para fazer as mesmas coisas do último encontro: brincar com o que não deviam. Cristiano, Rodrigo, Bruno e suas respectivas garotas: Fernanda, Camila e Aline.
Todo final de semana, juntavam-se na casa de Rodrigo para fazer este tipo de coisa.
Sempre regados a uma quantidade considerável de bebida, todos sentavam fazendo um círculo no chão. Rodrigo, por ser o dono da casa, era sempre o anfitrião, fazendo as honras de dizer os ritos negros que encontraram por aí, na internet ou em revistas. Numa viagem de um baseado, chegou até a nomear cada membro do grupo, como se fosse um novo batismo, mas tais nomes não são muito importantes agora. Passaram mais uma noite brincando com isso. Isso deixava as garotas excitadas e os rapazes aproveitavam-se disso para ter mais um noite de sexo.
Passavam basicamente as noites de sábado e domingo inteiras só nisso.
Na segunda feira, voltaram as suas vidas normais, mas sem antes lavar seus pentagramas com seus próprios sangues. Não imagino de onde tenham tirado essa idéia, mas faziam isso como almoçar ou dormir. Todos estavam no colégio, exceto por Rodrigo, o único que trabalhava.
Enquanto Rodrigo caminhava para seu trabalho, um mendigo o parou. Rodrigo tentava esquivar-se, mas o mendigo não o deixava ir. Colocou as mãos sobre os ombros de Rodrigo e veio ao seu ouvido falar.
-Cuidado com o que você brinca, isto é um aviso. Há mais forças ocultas aqui do que você pode imaginar e ver. Até num simples grão de areia, então tenha cuidado aonde pisa.
O mendigo larga dos ombros de Rodrigo e segue seu caminho pedindo esmolas para as pessoas na rua. Rodrigo, meio pasmo, depois de um tempo continua a caminhar para seu serviço.
Na noite de terça, todos encontram-se em um bar e Rodrigo menciona o que o mendigo falou. As garotas sentem medo, Bruno parece ter ficado meio assustado também, mas Cristiano não deu bola. Deu uns tapinhas nas costas de Rodrigo e disse para ele não ligar.
-Ele só deveria estar bêbado ou chapado - dizia rindo - nem deve se lembrar de quem é.
Despediram-se e cada um foi para sua respectiva casa.
A manhã de quarta foi normal, mas a noite foi péssima para Aline. Aqueles sonhos...
Uma sombra, de um homem, parada na porta olhando para Aline, que estava deitada e sem conseguir mexer-se. Ela fechou os olhos, tentando acordar e, quando abriu, a sombra estava mais perto ainda. Ela tentando gritar para que a sombra fosse embora, mas de nada adiantava, a sombra continuara ali. Aline sentia o medo crescendo dentro de si, a agônia de não poder se mexer.
Várias vozes sussurrando seu nome, dizendo que queriam-na. Num piscar de olhos, a sombra aproxima-se mais uma vez, agora, com a mão erguida e apontando para a face Aline. As lágrimas correndo seu rosto. Se era um sonho, como poderia ser tão real?
As vozes sussurrando para ela continuar brincando com o fogo, que isso seria ótimo para eles. Que avisasse todos seus amigos para continuarem.
Aline acorda na mesma posição que encontrava-se em seu sonho. Realmente havia chorado naquela noite, tudo estava exatamente igual ao pesadelo que vivera naquela noite. Decidiu não ir a aula, mas ficou com medo de permanecer em casa, saiu e foi dar uma volta pela manhã.
Nessa manhã de quinta, os ânimos de Fernanda pareciam ausentes. Sua noite foi normal, mas seu dia começou distorcido. Demorou para arranjar forças para levantar da cama, parecia que a havia algo muito pesado em cima dela.
Foi falar com sua mãe e não a encontrava, a casa estava vazia. Estranhou, pois sua mãe nunca saia antes dela. Ao seguir pela sala e olhar no espelho, jurou que havia mais alguém ali com ela. Ao olhar para trás, uma arrepio em sua coluna... Parecia que ela estava olhando de cara para alguém, mas não via nada. Seguiu para seu quarto, pegar seus materiais de escola, sua mochila parecia estar muito mais pesada que o normal. Desistiu de tentar levantá-la agora e foi ao banheiro tomar banho.
Debaixo do chuveiro, de todo aquele vapor por dentro da cortina, ela jurava sentir que havia mais alguém ali, do lado de fora, esperando para pegar ela. Fechou a válvula do chuveiro e estava preparando-se caso houvesse mais alguém ali, até que o telefone toca.
Quebrando todo o clima de suspense, ela vai atender. Era alguém perguntando sobre sua mãe, dizendo que tinha algo muito importante e triste para dizer: naquela manhã, sua mãe havia saido de casa e pulado na frente de um ônibus. Sem entender e sem mais forças para segurar o telefone, ela cai em choro.
Na mesma tarde, seria o velório. Seus parentes mais distantes vieram para organizar tudo. Seus amigos já estavam lá, consolando Fernanda.
Sexta-feira. Cristiano passou a noite na casa de Fernanda, ele perguntou se ela iria no sábado, fazer o programa de sempre no fim de semana. Fernanda simplesmente olhou para ele e voltou a olhar para o nada, Cristiano entendeu a hostilidade e decidiu retirar-se. Também não iria para a aula hoje, deu uma volta e foi na direção de casa.
As pessoas olhavam-no de um jeito estranho, acusadoramente, como se ele tivesse cometido um roubo ou algo do tipo. Assustado com a situação, caminhou mais rápido por seu caminho.
Ao tentar brincar com seu cachorro quase levou uma mordida, sua família também não demonstrava estar feliz com sua chegada. Deitou-se e dormiu.
Acordou quando já era noite e já estava na espera de poder encontrar-se e conversar com seus amigos. Tentou ligar para Fernanda, mas o telefone estava desligado.
01/06/09
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