Gram - Vivo de novo
E o que ficou era doente
Um pouco azul, meio pro verde
Parece até primeiro beijo
E cada novo instante é bastante tempo
Ela se foi
A outra vida se foi
Vivo de novo
Viver feliz e a vida insiste
Eu quero mais, coisa mais triste
Sigo a distância entre pontos e nós
Grito a vontade engasgada na voz
Ela se foi
Aquela vida se foi
Vivo de novo, vida de vivo de novo
Sei que há por vir, desse cais, algo além dessa alma
Ela se foi
Aquela vida se foi
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Esses dias tive a primeira queda. Triste sem motivos aparentes, ou que não quero que apareçam.E o que ficou era doente
Um pouco azul, meio pro verde
Parece até primeiro beijo
E cada novo instante é bastante tempo
Ela se foi
A outra vida se foi
Vivo de novo
Viver feliz e a vida insiste
Eu quero mais, coisa mais triste
Sigo a distância entre pontos e nós
Grito a vontade engasgada na voz
Ela se foi
Aquela vida se foi
Vivo de novo, vida de vivo de novo
Sei que há por vir, desse cais, algo além dessa alma
Ela se foi
Aquela vida se foi
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É estranho, às vezes me sinto tão bem... Mesmo só, mesmo sentindo saudades. Acho que isso faz parte de viver, não?
Mesmo que tudo pareça o fim, agora mantenho em minha cabeça que o fim é o começo e o começo é o fim. O ciclo da natureza... Há algo mais bonito que a natureza?
Simples e complexa, sem devaneios...
Lamento desapontar, nunca quis te ver assim. Mas, de todo o ódio, ganhei a indiferença. É minha nova arma agora.
Lembro-me, ainda, de quando os glóbulos de luz que ficavam em volta da minha cabeça, não apagavam a quase toda hora. Eu era mais feliz.
É fato, quando um acende, outro apaga.
A presença da escuridão é a simples ausência da luz...
Tudo começou como um ato de auto punição. Não sei bem o motivo, não lembro... Minha mente foi enfraquecida muito durante tão pouco tempo. A distância do eu me fez esquecer de quem eu já fui.
Um, dois, três... De poucos metros, a altura cresceu a tantos pés de altura.
Eu pensava estar indo bem para comigo mesmo, quando percebi que os cortes eram apenas superficiais e de que nada adiantavam...
De punição passou para prazer, de prazer para vício, de vício para doença... Quase chegando à morte.
...Perdi tanto tempo pensando em morrer que parei de viver...
Ficava em um estado inebriante de dor, ainda mais quando era frio. O calor que ali gerava era tão prazeroso que eu queria mais e mais. Depois de uns anos assim... Veio a primeira tentativa.
Despedi-me de uma amiga e tentei. Não deu certo, como podem perceber.
Parece que fui teleportado do banheiro para a cama, no quarto. Não lembro de como eu fui parar ali, com a porta trancada por dentro. Passou-se um tempo e, com isso, a tristeza.
Mas, a dor continuava...
Tempos depois, a segunda. Não despedi-me, não fiz nada mais. Queria apenas ser encontrado sem respiração, pulso ou outra qualquer coisa que me faria vivo. Simplesmente queria ser encontrado morto. De todas as vezes, eu estava muito triste, mas nessa... Foi a única que não chorei. Que não pensei diretamente em terceiros.
No meio da noite, uma ligação e eu fraco por ter tomado tal veneno, tosco, feito em casa.
Uma amiga, chorando... Problemas pessoais.
Juntei forças e tentei vomitar, não consegui. Não sei se era efeito psicólogico, como o placebo causa nas pessoas... Mas eu estava respirando ofegantemente e tudo parecia distorcido perante meus olhos. Mais uma vez, juntei forças para manter-me num estado normal, para ajudar tal amiga.
Acabei ficando mais triste, e ainda mais, por ter tentado novamente.
Mas, a dor sempre continuou.
Com medo de falar com alguém sobre isso, eram mais e mais dias em que eu não encontrava-me... Até que veio, a terceira.
Depois de ter feito umas besteiras, caí fora. No caminho, pensando no que acabara de fazer.
Chegando em casa, pensei mais em mim... Decidi acabar com tudo, para não machucar mais ninguém. Mesmo que isso pareça que eu estaria pensando em terceiros, não... Eu não queria mais machucar-me por machucar outros.
Acordei na cama de novo, e pelo dia que se passou... Eu tinha morrido e aquilo chamava-se inferno.
Duas manhãs depois da terceira, tudo parecia estranhamente mais colorido. Eu estava feliz, porém vazio, algo que eu havia notado na noite anterior. Em todas essas horas, vinha-me uma tristeza tangível, que eu pudesse tocar e ser tocado... Depois, nessa última, bateu-me o vazio... Um vazio triste, porém que não parecia estar realmente ali.
O eu que queria morrer, conseguiu... Sentia-me vazio, sem mais ele.
Isso me deixara feliz, estranhamente.
A noite chegou e o mesmo vazio bateu, mas dessa vez mais fraco.
A primeira queda... A tristeza surrando-me, na face. Chorei, admito. Por mais que eu quisesse manter-me feliz... Estava difícil. Cheguei a pensar na quarta tentativa...
Até que, tempo vai, tempo vem... Consegui acalmar-me.
E agora estou aqui, vazio, nem feliz, nem triste. Mas, bem para comigo mesmo.
A confusão ainda dorme comigo, ela tem sido minha companheira nesses últimos dias.
