Você pode me ouvir?
Eu ando pelas ruas da mesma cidade, que fica cada vez maior, e vejo as vidas se perdendo. Se perdendo por pouco, por besteira, por quase nada. Essa mesma cidade cresce e a gente fica cada vez menor. Ficamos menores a cada dia que passa, passamos a ser um ponto perdido na escuridão.
Você pode me ouvir agora?
Eu ainda passo pelas mesmas situações que passei em minha juventude, situações que implorei para nunca mais passar. Sentimentos velhos, de velhos tempos, que insistem em teimar, insistem em ser os mesmos velhos que sempre foram.
Você pode me entender?
Eu caí de amores de novo, mas sei que tudo vai-se um dia. As coisas vêm e vão como o vento, são imateriais e imagináveis. As impressões que trago na pele são as de alguém que sabe muito bem disso.
Você pode me entender agora?
Eu visitei aquele velho lugar de novo. Visitei os mesmos velhos sentimentos e situações, amores passados que tem gosto de nostalgia. Visitei pessoas que estiveram em minha vida, pessoas que para sempre vou carregar comigo.
Você pode sonhar?
Se fosse antigamente, já estaria chorando. Cometi muitos erros durante essa caminhada, erros que, também, levarei comigo para sempre. Eu tive minha mente focada em muitas coisas e, obviamente, perdi o foco.
Você pode sonhar comigo?
Eu tive de encontrar a mim mesmo. Estive perdido durante tantos anos da minha vida, anos que contaram, além de experiências, alegrias e tristezas. Eu jurei nunca mais perder-me ao tentar me encontrar. Juras que fazemos quando não sabemos aonde ir.
Onde você está...?
Eu senti, eu fiz, eu gastei, eu falei, eu quis, eu fui e eu implorei... Não valeu meu tempo. Agora sinto o pesar por ter, realmente, perdido tempo. Corri em círculos por não saber onde eu deveria ir. Ainda não sei para que lugar devo ir, sei que posso correr em círculos de novo, mas não é isso que quero.
Um tempo precioso que eu poderia ter gasto em outras coisas, poderia ter gasto investindo em mim. Perdi muito tempo escrevendo belas palavras para você, das quais só não foram apagadas pelo tempo porque eu ainda insisto em reler.
Uma viagem transcedental ao âmago do meu ser, onde poderei encontrar o desespero espreitando cada deslize meu. Mas, eu quero ver como sou por dentro, quero ver sem me perder com as coisas que posso encontrar. Introspecção nos leva à depressão... Não quero mais depressões em meu caminho.
Eu quero viver acima de estar vivo. Eu quero ir aonde eu nunca pude ir. Quero poder enxergar o que há na volta, mesmo estando de olhos fechados. Quero poder confessar-me sem ter vergonha de meus pecados, porém não quero sentir o pecado encravado na pele. Eu quero uma vida sem fim... Eu quero saber se há coisas além daquilo que você me mostrou.
Dê uma olhada para o fundo da sua alma. Você gosta do que vê?
Nada é o que parece ser, nem mesmo o que senti por você. A diferença entre a realidade e como nós queremos que ocorra é muito tênue. Mas, não irei mentir dizendo que, dessa vez, não sei diferenciar o dia da noite. Mesmo com a luz do sol ofuscando minha visão, irei aproveitar que não há nenhuma nuvem no céu da minha mente e irei velejar, sem me preocupar em me perder dentro da névoa que possivelmente irá aparecer no caminho, até o dia em que eu encontrar minha morte.
Eu estive sonhando com você... Não quis mais, insisti em acordar.
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